Título: Bernard relembra um grande momento do vôlei em Caracas
Veículo: O Estado de São Paulo
Data: 4 de Julho de 1999
Texto: João Pedro Nunes

O grande momento da geração de prata do vôlei brasileiro, que popularizou o esporte nos anos 80, foi vivido no Pan-Americano de Caracas, em 1983, quando a seleção conquistou o ouro com uma brilhante vitória sobre Cuba. O atacante Bernard foi um dos grandes destaques do time, que tinha ainda William, Amauri, Renan, Xandó, Bernardinho, Marcos Vinícius, Rui, Maracanã e Fernandão. "Vencer Cuba naquela época não era mole", diz o ex-atacante, hoje primeiro suplente do PSDB na Assembléia Legislativa do Rio. "Conseguimos uma campanha fantástica."

Em toda a carreira, Bernard Rajzman participou de quatro Pan-Americanos e ganhou medalhas em todos. Além do ouro na Venezuela, tem duas pratas (no México, em 75, e em Porto Rico, em 79) e um bronze (Indianápolis, em 87). "Dos quatro, o mais difícil em termos de infra-estrutura e organização foi o de Caracas", lembra. "Nas semifinais e finais, a equipe ficou concentrada num hotel porque perdíamos duas horas para ir e duas horas para voltar do ginásio."

Introdutor do saque "jornada nas estrelas" no vôlei de quadra, Bernard brilhou por 14 anos na seleção adulta. As maiores conquistas foram obtidas no Mundial da Argentina, em 82, e na Olimpíada de Los Angeles, em 84, quando o Brasil ficou com a medalha de prata.
Aos 42 anos, Bernard dedica-se à política esportiva. De 91 a 92 ocupou o cargo de secretário extraordinário de Esportes, ligado diretamente ao ex-presidente Fernando Collor de Mello. Elegeu-se depois deputado estadual pelo PPR, mas só assumiu após uma grande briga jurídica e acabou cumprindo só dois anos do mandato (a Justiça Eleitoral havia cancelado as eleições, alegando fraude). O ex-jogador defende a criação de mecanismos que sustentem o esporte de alto nível. "O esporte precisa de dinheiro e alguém tem de brigar por isso."

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