Título: Em S. Paulo, cenas do esporte da moda
Veículo: O Estado de São Paulo
Data: 17 de outubro de 1982

Brasil, país do futebol? Muita gente responderia não a esta pergunta, ontem, no aeroporto de Congonhas. Ou então como explicar as muitas bandeiras brasileiras, canetas e papéis à espera de um autógrafo e a grande expectativa em recepcionar a seleção de vôlei, vice-campeã mundial?

Para Rita, adolescente de 14 anos, a medalha de prata foi um resultado importante e por isso estava ali. Maria Aparecida e Rosângela também vibravam, mas estavam mais contidas, talvez porque a saudade dos namorados _ Montanaro e Xandó, respectivamente – era bem maior. Aparecida agarrou-se a Montanaro e só largou perto do carro, enquanto o jogador dava entrevista, autógrafos e se equilibrava precariamente entre empurrões, agarrões e muita euforia, onde não faltou papel picado e arroz jogados por algumas centenas de anfitriões.

Mas de todos os sete que desembarcaram em Congonhas, sem dúvida o que sofreu menos assédio dos novos fãs do esporte foi o auxiliar técnico José Carlos Brunoro. Com muita tranqüilidade, comparado à situação dos jogadores, Brunoro explicou que agora a comissão técnica deve reunir-se no Rio, dentro de uma a duas semanas, para definir a programação do ano que vem e estudar convites para jogos. Outra preocupação imediata de Brunoro, para quem o vôlei brasileiro deixou de copiar o estilo de outras seleções para firmar o seu próprio, é o Campeonato Brasileiro de Clubes, que começa nas próximas semanas.

A preocupação imediata de William era comer uma boa feijoada, depois de quase 20 dias fora do País. O capitão da Seleção Brasileira, que Brunoro chama de Bill, não deixou de agradecer ao apoio recebido pela torcida quando não estava explicando os problemas enfrentados na final contra a União Soviética:
– Eles sacaram as nossas jogadas e não me deixaram trabalhar.
William, que joga pelo Pirelli, junto com Amauri, Xandó e Montanaro e vai ter dez dias de folga, estava preocupado com a mãe, o pai e os amigos e parentes que foram recepcioná-lo, já que a esposa, Ciça, ficou em Buenos Aires para voltar junto com a mãe de Montanaro; não havia lugar no avião que saiu de Buenos Aires por volta da 10 horas de ontem e que antes de chegar ao Rio, fez escalas em Porto Alegre e em São Paulo.Para Domingos Maracanã, outro paulista que integra a seleção, os próximos dias servirão para definição de seus planos, já que ele admite ter recebido propostas para sair de Santos.

O mineiro Xandó, que há anos está no vôlei paulista, fez uma observação importante, que poderia ser estendida a todo o esporte amador brasileiro: “É hora de se conseguir mais apoio para o vôlei não parar de crescer”.

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