Medalha
de ouro Barcelona 92
Título: Medalha
de ouro do vôlei vira história da vida dos jogadores
Data: 9 de Agosto 2002
Texto: Camila Moreira e Vanessa Amaro
SÃO PAULO - Mais do que o único ouro olímpico do
Brasil em esportes coletivos, a medalha dos Jogos de Barcelona representa
a história de vida dos jogadores de vôlei que participaram
daquela conquista.
"Larguei a minha vida pelo vôlei. Parei a faculdade (de Educação
Física), mas o ouro olímpico compensa o esforço",
disse Carlão, o capitão da seleção, durante
evento de comemoração dos 10 anos da conquista em Sâo
Paulo.
"O ouro olímpico não vai entrar apenas para a história
do esporte brasileiro. Representa a minha própria história
de vida e de todos os jogadores", completou.
No dia 9 de agosto de 1992, um belo saque de Marcelo Negrão no
Ginásio Palau Sain Jordi selava a vitória por 3 sets a
0 sobre a Holanda e a consagração da chamada "geração
de ouro".
"Consegui o reconhecimento e a fama depois da conquista. Foi o
que sempre quis. As pessoas na rua me elogiam pelos meus saques e perguntam
sobre a medalha. Adoro essa vida de famoso", confessa Negrão.
Aquela conquista não deixou saudades somente entre os torcedores.
Paulão lembra com carinho dos tempos em que entrava na quadra
e do retorno à sua cidade depois dos Jogos.
"Foi feriado em Gravataí (RS), onde nasci, e isso cativa
a gente. Sinto saudade do ambiente que havia no time, de fazer aquecimento,
das concentrações", revela Paulão.
Rumos diferentes
Lembranças à parte, os 12 jogadores tomaram rumos diferentes
em suas vidas após a histórica conquista. Somente Mauricio,
Giovane, Douglas, Talmo, Marcelo Negrão e Janelson continuam
em atividade. Tande optou pelo vôlei de praia.
Mauricio e Giovani conseguiram voltar à seleção.
Marcelo Negrão luta desde maio de 2001 contra uma lesão
no joelho e agora se prepara para voltar às quadras, assim como
Janelson, que ficou um tempo afastado. Douglas joga em Minas e Talmo
no Palmeiras.
Paulão e Pampa resolveram tentar a sorte na política.
Os dois são candidatos a deputado federal pelo PFL.
"A seleção batalhou muito para chegar onde chegou.
Agora quero usar as lições aprendidas com a conquista
do ouro olímpica para realizar uma façanha política
também, ligada ao esporte", explicou Pampa. "Quero
criar programas que combinem esporte com educação".
O mais experiente dos 12, Amauri dá aulas de condicionamento
físico para empresários e em escolinhas de vôlei
em Pirapora do Bom Jesus e em São Paulo. Jorge Édson só
deixou o lado de dentro das quatro linhas e agora é auxiliar
técnico do BCN/Osasco.
Por fim, Carlão abriu uma empresa de móveis e também
se arrisca no mercado financeiro, fazendo aplicações na
bolsa de valores.
"O esporte sempre foi tratado (por mim) como uma paixão,
mas também procurei cuidar do meu lado financeiro. Sempre tive
uma visão capitalista", explicou.
Se Carlão tiver nos negócios a mesma garra que esbanjava
em quadra, o lucro é certo.
Título:
Uma medalha de ouro em meio à história
Veículo: Jornal da Tarde
Data:10 de Agosto de 2002
Texto: Denise Mirás
Foram quase 20 anos de preparação
para o vôlei chegar a um ouro olímpico, o primeiro de um
esporte coletivo do Brasil. Passaram-se outros dez e Bernardinho tem a
responsabilidade de comandar um dos melhores grupos do mundo. Mas no feminino,
as garotas voltaram a preocupar os dirigentes
Não foi apenas um encontro
do grupo que chegou ao ouro olímpico em Barcelona/92. O Museu Brasileiro
da Escultura recebeu ontem a história do vôlei brasileiro
de pelo menos três décadas. Os campeões olímpicos
foram homenageados por aquela conquista no Palau San Jordi, no alto de
Montjuic, na cidade que foi envolvida por sonho e magia, um tempo em que
a União Soviética reunia suas repúblicas pela última
vez sob a bandeira da CEI - a Comunidade dos Estados Independentes. Por
aquele ponto marcado por um ace de Marcelo Negrão. Pelo desabafo
do técnico José Joberto Guimarães, dedicando o título
ao povo brasileiro. Mas lá no MuBe estavam também vários
dos responsáveis pela base da conquista, pela infra-estrutura que
rodeou a medalha de ouro e que ainda se reflete nesta Seleção
que segue para seu Mundial da Argentina, entre 28 de setembro e 13 de
outubro, sob o comando do técnico Bernardo Rezende.
Levando pela carreira uma coleção de elogios, adulações
e críticas, Carlos Arthur Nuzman, presidente do Comitê Olímpico
Brasileiro, foi lembrado como responsável pelo "pontapé
inicial" na era moderna do vôlei. Foi em 1975, chegando à
Confederação Brasileira de Vôlei em 1975 que o profissionalismo
de atletas a dirigentes passou a imperar. A preparação das
Seleções Juvenis para os Mundiais/77 já levou a Masculina
- com Renan, Montanaro, Xandó... - ao bronze e a Feminina ao quarto
lugar. Essa, pelo menos com relação à Masculina,
seria a base para a equipe adulta, vice-campeã mundial na Argentina/82
e vice olímpica em Los Angeles/84.
Mas também havia profissionais das ciências do esporte que
foram precursores no esporte do País, da medicina esportiva à
informática. Com eles, o vôlei pôde chegar ao primeiro
ouro olímpico em esporte coletivo do Brasil.
Em Barcelona/92, o grupo tinha Maurício, Marcelo Negrão,
Giovane, Tande, Paulão, Carlão, Talmo, Jorge Edson, Douglas,
Janelson, Pampa e Amauri.
Muitos já "resultado" do boom do vôlei, com o Mundialito/82
no Rio de Janeiro, depois o Mundial na Argentina: Maurício vinha
do Fonte São Paulo de Campinas; Carlão, do Acre e Mato Grosso;
o garoto carioca Tande era fã de Montanaro quando foi jogar no
Banespa. Amauri, elo de ligação da geração
de prata com a de ouro. Todos ganharam de Ary Graça, presidente
da CBV, um anel de ouro com a estampa da medalha.
As histórias correram, mas também se falou sobre a criançada
de todos, planos. Política - para onde Bernard foi o primeiro a
se encaminhar, seguido por Pampa e Paulão.
Alguns dos momentos inesquecíveis desta vitória estão
registradas nas fotos que seguem.
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